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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

EXU MIRIM FAÍSCA



O mirim “Faísca”, como muitos outros mirins, foi um menino órfão e que morou na rua. Roubava para sobreviver e ajudar a manter sua irmã, junto com ele um grupo de crianças de rua furtavam, roubavam armazéns e pessoas na rua. Certa vez “Faísca” encontrou um homem que fez uma proposta, daria alguns trocados para ele roubar certas pessoas e ele poderia ficar com mais alguns trocados que a pessoa tivesse em seus bolsos.

E assim foi o menino fazer os furtos e assaltos para esse homem que tinha como intenção se aproximar dessas pessoas para obter benefícios. Os crimes ocorriam com uma certa frequência, até que um dia o homem pediu para a criança assaltar um outro homem que passava na rua, o menino sem pensar duas vezes logo foi fazer o que já estava acostumado, mas aquele dia algo saiu errado, o homem que seria a vítima era um policial que sem bambear sacou sua arma e atirou na cabeça do menino.

Por um período vagou como um espírito zombeteiro, até que foi lhe mostrado que poderia evoluir e ajudar as pessoas, teve dificuldades, foi um menino muito levado, impulsivo e teimoso. Hoje trabalha na linha de Ogum, linha da lei, linha que desobedeceu sua vida inteira na terra e agora tem essa missão de segui-la e fazer com que ela seja cumprir. 

Essa foi a história do Exu Mirim Faísca com quem trabalho, obviamente que não pode representar toda falange, mas você precisa confiar com quem trabalha. Cada guia tem sua história, seus mistérios e seus ensinamentos. Não são todos iguais, assim como nós, eles possuem suas particularidades e formas de trabalhar.


Há pais de santo e vertentes de Umbanda que defendem que Exu Mirim nunca foi encarnado, outras defendem que eles não são crianças, o objetivo do texto não é defender ou desmerecer estes pontos de vista, mas ilustrar a história de Um Faísca para muitos médiuns que queiram ou interessem-se pelo seu mistério. 

Fonte: baianojuvenal.blogspot.com.br

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

POMBAGIRA CIGANA DAS SETE FACADAS



De beleza exuberante e inteligência rara, Elisa se achava uma mulher sem sorte. Vivia infeliz: todos que a cercavam, todos a quem amava pareciam sofrer com ela. Uma maldição, pensava ela. Casada, logo o marido passou a se servir de putas, embora amasse e desejasse a mulher, que só penetrou uma vez, na primeira noite. Apesar de seu tremendo desejo por Elisa, só alcançava a ereção com outras. Ela sofria pelas dores do marido. Ele a acusava de rejeitá-lo e batia nela. 

No começo, nem tudo era sofrimento. Daquela única vez nasceu Vitória. A menina cresceu bonita e saudável até os sete anos. Depois começou a definhar. "É a maldição!", Elisa se culpava. O marido se enterrou de vez nos puteiros, ia chorar sua desventura no colo das putas. Todas as especialidades médicas foram consultadas, todas as promessas foram pagas, todas as rezas foram rezadas. 

Consultados médiuns e videntes, cartomantes e benzedeiras, padres, pastores e profetas, nada. A saúde da menina decaía dia a dia. Até que Elisa foi bater à porta de mãe Júlia, famosa mãe-de-santo. "Você nasceu com a beleza de Oxum e a majestade de Xangô, mas seu coração é de pombagira", disse-lhe a mãe-de-santo, depois de consultar os búzios. 

A vida recatada de Elisa, seu senso de pudor, sua modéstia, a repressão de costumes que ela mesma se impunha, a falta de interesse pelo sexo, tudo isso negava os sentimentos de seu coração, contrariava sua natureza. A cura, a redenção -dela e dos seus-, tinha uma só receita: libertar seu coração, deixar sua pombagira viver. Foi a sentença da mãe-de-santo. 

Leve e livre

Ali mesmo, naquele dia e hora, sem saber como nem por quê, Elisa se deixou possuir por três homens que, no terreiro, tocavam os atabaques. O prazer foi imenso. Sentiu-se leve e livre pela primeira vez na vida. 

Pensando na filha, voltou correndo para casa e encontrou a menina melhor, muito melhor: corria sorridente, pedia comida, queria brincar. 

No dia seguinte, Elisa voltou ao terreiro. "Seu caminho é longo ainda", mãe Júlia disse. 

Depois a abençoou e se despediu. Um dos homens com quem se deitara no dia anterior lhe deu um endereço no centro da cidade, um local de meretrício, que Elisa começou a freqüentar. Passava as tardes lá, enquanto o marido trabalhava. Voltava para casa mais feliz e esperançosa, a menina melhorava a olhos vistos. 

Para preservar a honra do marido, Elisa se vestia de cigana, cobrindo o rosto com um véu. O mistério tornava tudo mais excitante. A clientela crescia. O marido soube da nova prostituta e quis experimentar. Na cama com a Cigana, o prazer foi surpreendente, muito maior do que sentira com Elisa e que nunca fora superado com outra mulher. Seria escravo da Cigana se ela assim o desejasse. Mas a Cigana nunca mais quis recebê-lo. 

A insistência dele foi inútil. "Um dia te mato na porta do cabaré", ele a ameaçou, ressentido e enciumado. Ela se manteve irredutível. 

Num entardecer de inverno, ele esperou pela Cigana na porta do puteiro e, na penumbra, lhe deu sete facadas. Assustado, olhou o corpo ensangüentado da morta estirado no chão e reconheceu, no piscar do néon do cabaré, o rosto desvelado de Elisa. Um enfarto o matou ali mesmo. 

Longe dali, no terreiro de mãe Júlia, o ritmo dos tambores era arrebatador. As filhas-de-santo giravam na roda, esperando a incorporação de suas entidades. 

Na gira de quimbanda, exus e pombagiras eram chamados. Os clientes, que lotavam a platéia, esperavam sua vez de falar de seus problemas e resolver suas causas. As entidades foram chegando, e o ambiente se encheu de gargalhadas e gestos obscenos. O ar cheirava a suor, perfume barato, fumaça de tabaco, cachaça e cerveja. A força invisível da magia ia se tornando mais espessa, quase podia ser tocada. 

Cada entidade manifestada no transe se identificava cantando seu ponto. De repente, uma filha-de-santo iniciante, e que nunca entrara em transe, incorporou uma pombagira. 

Com atrevimento ela se aproximou dos atabaques e cantou o seu ponto, que até então ninguém ali ouvira: "Você disse que me matava/na porta do cabaré/ Me deu sete facadas/ mas nenhuma me acertou/ Sou Pombagira Cigana/ aquela que você amou/ Cigana das Sete Facadas/ aquela que te matou". 

Mãe Júlia correu para receber a pombagira, abraçou-a e lhe ofereceu uma taça de champanhe. "Seja bem-vinda, minha senhora. Seu coração foi libertado", disse a mãe-de-santo, se curvando. 
Pombagira Cigana das Sete Facadas retribuiu o cumprimento e, gargalhando, se pôs a dançar no centro do salão. 

Por: Reginaldo Prandi

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs3003200806.htm

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

POMBAGIRA ROSA DAS SETE SAIAS



A Pombo Gira Rosa das Sete Saias tem uma história muito interessante, pois ela viveu em prol da caridade as jovens abandonadas pelas famílias, que normalmente eram expulsas ou por um desvio de conduta, ou por ideias acima do tempo vivido, ou por mostrarem que não aceitavam ser dominadas por tradições da época.    

 Ela viveu nos meados do século XIX, e por ser extremamente lutadora por igualdades, foi expulsa de sua região pelos grandes coronéis da época. Coronéis esses que não respeitavam as mulheres, os negros e as pessoas que pregavam ideias diferenciadas desses poderosos.     

Nessa época a Pombo Gira Rosa das Sete Saias era conhecida apenas por Rosa, seu nome de batismo e vivia com seus pais e irmãos na região Norte do Brasil.     

Ela sempre foi diferenciada por estar sempre em desacordo com os grandes poderosos coronéis do tabaco, arroz, cana de açúcar, e assim conseguiu muitos desafetos, sendo perseguida até ser expulsa de sua região, sem que antes sofresse a enorme perda de sua vida, toda sua família fora massacrada por esses sanguinários senhores fazendeiros.     

Ela astutamente conseguiu se desvencilhar das agressões dos jagunços comandados pelos coronéis, fugindo de sua pequena cidade e se escondendo pelas florestas, rios e pântanos, até chegar a um monte no qual ela fez morada.     

Os dias iam passando lentamente, e Rosa cada dia era tomada por uma tristeza sem fim. Com a perda de seus pais e irmãos, ela não tinha mais vontade de caminhar, suas esperanças já não existia mais, seu amor pela vida e sua vontade de lutar estava quase se extinguindo, quando em uma noite clara no qual o cume do monte era tomado pela luz de um luar lindo e estrelas brilhantes, Rosa sentada na relva com os olhos fixos para o horizonte tomado pela escuridão da noite, escuta chamarem por seu nome.     

Ela assustada da um sobressalto, e se depara com uma linda mulher vestida de guerreira, de olhos amendoados, cabelos brilhantes como o Sol, em sua mão direita segurava uma espada de cor de ouro, e com uma voz forte, porém meiga, ela disse a jovem Rosa:     

"Filha amada, não se deixe vencer, você é forte, é lutadora, é guerreira, é minha protegida. Sua missão apenas começou.     

Deve erguer a cabeça, iluminar sua fé, buscar os caminhos da caridade, pois muitas pessoas dependerão de sua vontade de lutar.     

Esse monte será seu ponto de força, cada vez que fraquejar venha até ele, busque a força do Sol, a clareza da Lua, a união das estrelas. Sinta o vento acariciando seu rosto e cabelos, esse vento é a energia que vai precisar caso fraquejar.   
  
Sua missão e retirar das garras da morte as jovens jogadas a seu próprio destino. Traga-as para se purificarem no monte, as conduza para o bem, a luta contra o mal, auxilia-as a vencer os seus medos, seus dissabores, seus ódios.     

Você será a luz na caminhada de muitas jovens reprimidas pela ignorância de uma humanidade sanguinária e sem entendimento.     

Nessa caminhada terá de escolher sete companheiras para serem suas forças de conjunto, saberá quem são elas, e essas estarão com você eternamente.  
   
Lute pela liberdade e faça a caridade sem receio, pois no momento certo você irá a uma nova caminhada rumo ao bem, rumo à paz, rumo a Deus. Eu estarei com você e no momento certo, você estará comigo."     

Falando isso a linda mulher guerreira se foi como por encanto, deixando apenas uma leve brisa no ar, uma brisa perfumada como as flores.     

Rosa ergueu a cabeça, e tomou uma decisão, voltaria à cidade para resgatar as jovens, que como ela eram mantidas escravas pelos coronéis sanguinários. E assim ela o fez.     

No arraial jovens de diversas idades, raças e ideologias, eram mantidas como escravas pelos senhores poderosos. Eram torturadas, abusadas, humilhadas, assassinadas.     

E assim Rosa pôs em prática o plano de alcançar seu objetivo, ou seja, resgatar essas jovens, e as levarem ao monte da purificação, e após a um lugar seguro.     

Começando sua missão, todo o cair da noite entrava pela cidade em surdina, ia até os pontos onde se encontravam aprisionadas diversas jovens, e com uma força de vontade enorme assim como sua fé, as levavam para um local seguro.     

E assim ela expandiu sua missão além da cidade, passou a resgatar jovens escravizadas dentro de fazendas, em senzalas, jovens essas que sofriam extremamente nas mãos de seus senhores, de feitores e jagunços.    

 Com extrema habilidade e sagacidade, Rosa conseguia entrar e sair das fazendas nas noites escuras e até um pouco sombrias. E ao sair nunca deixava de levar alguma jovem sofrida, e assim foi aumentando dia após dia o número de resgates feitos pela salvadora protegida de Iansã guerreira.    

Os poderosos começaram a se preocupar com o sumiço das jovens, tanto nas fazendas quanto na cidade, e assim se juntaram para tentar dar um fim nesse acontecimento, mesmo não sabendo quem estava por trás dos resgates.     

Começaram uma vigília implacável, fazendo assim dificultar muito a missão da jovem Rosa, que se arriscava intensamente para tentar trazer mais jovens para a liberdade.     

Com a dificuldade aumentada, Rosa teve a lembrança dos dizeres da Orixá Guerreira, ela deveria escolher sete jovens para lhe auxiliar, e assim tentar manter sua missão ativa.     Enquanto isso os poderosos e fazendeiros da região, para tentar fazer o misterioso lutador pela liberdade aparecer, começaram mais intensamente torturarem mais e mais jovens. Com isso Rosa não teve outra maneira de agir, deveria, junto com suas sete auxiliares, já devidamente escolhidas, ir à busca de novos resgates.     

E assim ela o fez, por mais uma seqüência de dias ela passou a libertar mais e mais jovens, deixando os poderosos e coronéis extremamente irritados.     

Um desses coronéis teve a ideia de separar algumas jovens negras em uma senzala, e nessa senzala grandes horrores aconteciam com elas. Rosa ao saber disso pediu forças a Iansã, juntou-se com suas sete guerreiras e partiu para a tal fazenda. Mas tudo não passava de um plano sanguinário desse coronel para eliminar o libertador de jovens. Em tocaia, ele, alguns jagunços e feitores, juntamente com um grande número de coronéis e poderosos da região, aguardavam com ansiedade a chegada do libertador.     

E assim chegou a senzala a jovem rosa com suas sete guerreiras, e foi um espanto a todos que ali estavam aguardando. Ficaram em silêncio, observando o que ia acontecer, e viram com grande espanto as jovens entrando pela porta da senzala assim que conseguiram quebrar a velha tranca de ferro.     

Sem dó ou piedade, o coronel sanguinário manda seu jagunço trancafiar as jovens na senzala juntamente com as outras que ali já estavam e logo após manda incendiar a fim de queimar todas vivas.     

O fogo pegou rapidamente, as jovens escravizadas gritavam de pavor, enquanto Rosa e suas auxiliares tentavam sem sucesso encontrar uma saída.     

Do lado de fora gargalhadas estridentes tomavam conta do local, os coronéis, jagunços, feitores e poderosos se deleitavam com o desespero dentro da senzala.     

Rosa se joga de joelhos ao chão, clama por piedade a sua protetora Iansã, pedindo-lhe que salvasse as jovens que ali estavam, em um extremo de fé e caridade, ela deixa uma lágrima rolar em seu rosto. Essa lágrima ao cair é tomada por um brilho intenso, fazendo-a se transformar em centenas de gotículas que plainavam pelo ar subindo ao céu azul, que nesse instante começa a se fechar com pesadas nuvens negras.     

Raios saíam das nuvens, e uma intensa tempestade no mesmo instante desabou sobre as terras da fazenda, conseqüentemente encharcando toda a senzala e por fim apagando o violento incêndio. Ventos tortuosos sopraram violentamente sobre a fazenda, fazendo com que a correria entre coronéis, poderosos, feitores e jagunços começasse. Todos assustadíssimos gritavam de pavor. Ventos arrastavam a todos, raios desciam sobre eles demonstrando a força da natureza e de Mãe Iansã, a chuva poderosa cobria os olhos de todos os deixando como cegos.    

Nesse momento uma luz brilhante desce sobre a senzala, e como se com sua força invisível, juntava as jovens ao centro da senzala, e a luz brilhante as rodeou fazendo assim um campo de energia protetora. Nesse momento um forte trovão estrondou pelo céu, trazendo um raio poderoso que caiu próximo a senzala, unido com os fortes ventos fez com que ela fosse destruída, porém as jovens se mantinham protegidas pela luz brilhante.     

A senzala foi ao chão, raios e trovões tomavam o céu, ventos de enormes proporções levavam tudo a sua frente. Já não haviam mais nenhum jagunço ou feitor, todos corriam tentando se proteger. Os coronéis e poderosos em seus desesperos particulares tentavam achar algum lugar para se segurarem, porém era inútil, nada estava livre da força dos ventos, a não ser as jovens protegidas sobre a luz brilhante de Iansã.     

Nesse momento as nuvens partiram, o céu se tornou novamente azulado, o Sol brilhava com intensidade, raios e trovões se acalmaram.     

Pouco a pouco se reuniam os poderosos homens irônicos, só que agora extremamente assustados com todo acontecido.   
  
Ao verem as jovens reunidas em um ponto da fazenda, ainda protegidas pela luz brilhante, eles ficaram atônitos, não sabiam o que dizer ou o que pensar.     Nesse instante sobre as jovens, plainava a imagem da bela Iansã, devidamente trajada de guerreira, olhos brilhantes, espada em punho. Com um gesto ela fez com que a luz brilhante desaparecesse, e com um tom de voz forte e seguro disse:   
  
"A todos que escravizavam, torturavam e mantinham essas jovens sobre seu julgo, digo-lhes, essa foi apenas uma pequena demonstração a vocês. A partir desse momento desejo essas jovens livres, pois para aqueles que não aceitarem minha vontade, sofrerão a ira da natureza muito mais forte do que essa que presenciaram nesse momento.    

Desejo que deixem todas as jovens partir, que não sejam mais escravizadas, torturadas e mortas."     
Dizendo isso ela ergueu sua espada, pediu que Rosa se afastasse com suas sete auxiliares, e lançou uma luz em volta dela e das sete, fazendo com que todas se erguessem sobre o ar.     E assim ela disse:     

"A sua missão foi cumprida nesse lugar, a partir de agora você e as sete serão enviadas de Oxalá e dos Orixás, para que possam libertar mais e mais jovens aprisionadas e abandonadas a sua própria sorte."     

E assim Rosa se transformou na Pombo Gira Rosa das Sete Saias, sendo as sete saias suas sete auxiliares.   

Hoje a Pombo Gira Rosa das Sete Saias trabalha em prol da caridade nos terreiros de Umbanda, e tem como sua principal finalidade proteger jovens abandonadas, torturadas e escravizadas pela ignorância dos seres humanos que não buscam entender o porquê de algo, e preferem julgar.   
  
É dito que quando a Pombo Gira Rosa das Sete Saias chega a um terreiro, em volta dela se pode notar a energia das sete guerreiras de Iansã, fazendo assim que seja quebrado todo tipo de magia, com a força das sete linhas. 

Por: Carlos de Ogum

Fonte: umbandayorima.blogspot.com.br

sexta-feira, 5 de maio de 2017

CABOCLO UBIRAJARA



Segundo o próprio Ubirajara, ele era um guerreiro da tribo dos Tupinambá, e nasceu aproximadamente em 1556 no território onde hoje e á Bahia. Segundo seu Ubirajara, ele foi feito guerreiro muito jovem porque na quela época sua tribo estava em guerra com os homens brancos(Os portugueses) E sua tribo inimiga os tupiniquins, a maioria estava doente e os jovens eram recrutados e treinados muito sedo. 

Com 16 anos ele enfrentou os portugueses e quase foi morto, mais quando ele completou 20 anos destruiu mais de 200, e o líder branco foi comido pela tribo. Ele ganhou fama porque só foi vitória quando ele liderava, sua fama foi tanta que os portugueses já tinham medo de andar nas matas onde pertenciam os tupinambás, e principalmente do índio com os peitos largos, alguns portugueses chamavam seu Ubirajara de fantasma da morte, ou o próprio Diabo.

Na nova lei estabelecida entre os tupinambas era devorar os que sobrevivessem, e piedade não era muito praticada entre eles, Ubirajara também invocava os espíritos da floresta, e principalmente os guerreiros e devoto firme de Tupã (Deus em tupi-guarani), gostava de usar arco e flecha, escalava perfeitamente as árvores, sanguinário, com uma aparência séria e bonita, forte, feição fechada, com 30 anos Ubirajara se torna Cacique e lidera mais uma investida contra o homem branco, nessa investida eles matam mais de 1000 portugueses e tem apenas 67 perdas.

Ubirajara (Caboclo) relata que nunca perdeu uma guerra, á única guerra que ele e sua tribo não ganhou foi a ignorância, pois com o ritual do canibalismo, ele e a tribo inteira pegaram doenças graves, doenças que os índios não estavam preparados para enfrentar, e sua tribo foi extinta em 1604, Ubirajara morreu doente por volta de 1580.

Por: Alberto Ebomi

Fonte: juntosnocandomble.com.br

quinta-feira, 4 de maio de 2017

ERÊ ANINHA ESTRELINHA DO MAR



Aninha Estrelinha do Mar é uma Erê que trabalha na Umbanda na linha das Ibeijadas, fazendo a caridade a quem necessita, principalmente às crianças carentes e necessitadas.

Ela busca fazer seus trabalhinhos voltados a saúde do corpo físico, mental, psicológico. Tem grande conhecimento de rezinhas que encantam a todos, principalmente os pequeninos.

Sua história na vida encarnada se iniciou nos meados do século XIX, onde ela veio iluminar esse mundo com seu sorriso cativante e lindo. Nasceu na região Nordeste do Brasil, em uma ilha nas proximidades da Baía de Todos os Santos, e lá ela viveu até seu desencarne com apenas 7 anos de idade.

Aninha já era diferenciada mesmo no ventre de sua mãe, uma camponesa da região que se matrimoniara com um imigrante espanhol, e com todo amor aguardavam a chegada de um filho. E essa diferenciação era constatada pelo próprio pai de Aninha, quando a sua esposa já grávida era acompanhada por três luzes muito brilhantes, sendo uma azulada estando sempre a frente da futura mãe, e duas embranquecidas, ficando uma de cada lado da mulher.

A jovem camponesa era muito fiel a sua fé, e sempre dizia ao esposo que ela não estava apenas gerando um filho, mas sim um Anjo de Deus, e a prova estaria nas luzes irradiantes que ela via em torno de si mesma.

O tempo passou e, certa manhã, quando o casal estava em um pesqueiro buscando seu alimento, a jovem futura mãe sentiu as dores do parto, e rapidamente seu esposo buscou retornar ao cais, porém o mar de um instante para outro se tornou violento, grandes ondas se formaram, fazendo assim com que o pesqueiro ficasse a deriva.

O jovem espanhol entra em desespero, tinha muito medo de que acontecesse algo de ruim a sua esposa e ao filho que estava para chegar.

Ele tentava desesperadamente conduzir o velho pesqueiro para fora da tormenta, pedia auxílio a seus companheiros de pesca, clamava a algumas mulheres a bordo que levassem a sua esposa a local seguro pois ainda se encontrava no convés. E assim foi feito, enquanto o grupo de pescadores sobre supervisão do jovem espanhol continuavam tentando retirar o pesqueiro da tormenta, tentando salvar as vidas de todos ali.

Não sabendo mais como conduzir o barco, o espanhol se joga de joelhos ao chão, clama a Deus que os salvem, principalmente sua esposa e o filho que estava para nascer.

Enquanto isso a jovem futura mãe se encontrava em uma cabine, deitada ao chão, em lágrimas, não pelas dores, mas com medo de algo acontecer e seu bebê não pudesse sequer nascer.

Em sua volta algumas mulheres de pescadores rezavam em murmúrio, pedindo proteção a todos e principalmente a criança que estava a vir ao mundo naquela situação desesperadora.

Lá fora a tormenta aumentava, muitas ondas batiam no casco do pesqueiro fazendo com que ele balançasse, rodopiasse, deixando todos sem direção.

A jovem mãe sentia mais dores, e com o balançar do pesqueiro tudo ficava pior. Mulheres ajoelhadas rezavam, uma velha senhora mestiça auxiliava a mulher em seu parto.

Os ventos não davam trégua. O mar revoltoso lambia todo o convés do pesqueiro de uma forma violenta, as velas se rasgavam, a correria por salvação estava grandiosa, enquanto o espanhol continuava suas orações.

Na cabine abaixo do convés, o sofrimento da futura mãe era de cortar os corações das mulheres presentes, ela clamava a Deus e pedia que salvasse a sua criança. E a criança começa a nascer com auxilio da velha senhora pescadora.

No mesmo instante que a criança vinha ao mundo, os ventos batiam e quebravam os grandes mastros do pesqueiro, as ondas enormes quase viravam a embarcação.

E a criança nasceu, e como por um milagre ao dar seu primeiro choro de recém nascido, o céu se cala, não havendo mais raios e trovões, o mar se acalma, o vento vira uma pequena brisa, o mestre Sol reaparece.

Ao sentirem a calmaria novamente, os pescadores aos poucos retornam ao convés, se reunindo em agradecimento a Deus. Nesse momento a velha porta de madeira da cabine se abre e a velha senhora mestiça com a criança ao colo, abre um largo sorriso dizendo a todos sobre o nascimento da menina. O jovem espanhol se aproxima, pega a criança ao colo, se ajoelha e em lágrimas agradece a Deus.

Nesse momento, as três luzes que acompanhavam a jovem mãe em sua gestação aparecem diante de todos, só que dessa vez em forma humana, e se apresentaram assim: Uma linda mulher de manto azul e longos cabelos negros com seu olhar carinhoso que encantou a todos, e dois homens encorpados, de aparência serena, e olhar cativante, vestidos com roupas azuladas, porém um com o tom de azul mais escuro e outro com azul mais claro.

A mulher com a voz doce e meiga, abre os braços e diz assim: 

"Abençoada seja essa criança, assim como abençoada seja seus pais. Essa menina veio ao mundo para iluminar os caminhos de quem necessitar, terá em suas mãos o poder de curar, de trazer paz, de distribuir o amor.

Essa será sua última missão nessa terra antes de partir para o reino da caridade espiritual. Ela será protegida, encaminhada e amada por mim, e pelos dois protetores que cá estão presentes. 

A luz de Oxalá deve fazer essa criança brilhar em sua missão, e após ter a cumprido, retornará a seu lugar da mesma maneira que cá ela chegou.

Aos pais, rogo muita fé, entendimento e compreensão, pois será com esse entendimento que fará essa menina ser mais uma divindade, com essa fé que exaltará toda sua caminhada rumo ao infinito amor de Deus, e essa compreensão que fará com que ela possa caminhar em seu destino sem tristezas ou culpas.

Aqui agora eu abençoo cada instante de vida desse ser de luz, e que sua generosidade, seu amor, sua fé e sua caridade reinem acima de tudo.

Em meu nome, Iemanjá, em nome de Ogum Beira Mar, e em nome de Ogum Iara, eu trago as forças das águas do mar e das cachoeiras a essa menina de Deus."

Ao falar isso, a linda Iemanjá segura uma bela estrela do mar nas palmas das mãos, sobre ela também colocam as mãos espalmadas Ogum Beira Mar e Ogum Iara, abençoando o objeto, que foi entregue ao pai e a mãe da menina, que já se encontrava no convés.

E assim Iemanjá disse:

"Guardem essa estrela do mar, ela é o artefato que essa doce menina usará para seus trabalhos de cura."

E assim, as imagens iluminadas desapareceram diante de todos presentes, que sem demora se jogaram de joelhos e se colocaram em oração.

Nesse instante a jovem mãe ainda fraca, com um fio de voz diz ao esposo:

"Ana, esse vai ser o nome de nossa filha, e será conhecida como Aninha Estrelinha do Mar."

E assim o tempo passou, e Aninha ficou muito conhecida na região, todos comentavam o acontecido de seu nascimento, e muitas pessoas faziam filas nas proximidades da casa de Aninha para poderem tocar na menina e na estrela do mar que estava sempre a seu lado.

Muitas curas foram feitas naquela região por intermédio de Aninha e a fé de seus admiradores. E ela já com seus 3 anos andava por toda a região em companhia de sua mãe para auxiliar a quem necessitava.

Varias doenças da época disseminava muitos povos nas proximidades da região onde residia Aninha e seus pais, e assim essas doenças teimavam em atacar as pessoas do povoado de Aninha, porém, com muita fé e o auxilio da menina, as pessoas decaíam sim, mas não chegavam ao desencarne.

As crianças que naturalmente eram mais enfraquecidas fisicamente, eram as principais vitimas desses males da época, e assim todas eram levadas ao encontro da menina que com carinho e dedicação, pegava sua estrelinha do mar, fechava seus olhos e clamava pela cura dessas crianças, que milagrosamente iam se restabelecendo dia após dia com a fé da menina Aninha, e as bençãos da doce Mãe Iemanjá, de Ogum Beira Mar e Ogum Iara.

Assim ficou conhecido por toda a região os milagres e as bençãos da Aninha Estrelinha do Mar.

Os anos passavam rapidamente, e assim ano após ano a legião de seguidores e admiradores da menina de Iemanjá, como já era conhecida, foi aumentando. Ela sempre bem disposta e sorridente era incansável, fazia sua caridade a todos que a procuravam, brincando, dançando ou pulando, com seu ar infantil.

Muitas pessoas lhe traziam presentes, porém ela insistia em não aceitar, pois assim tinha aprendido com sua Mãe divina, a linda Iemanjá, e seus protetores Ogum Beira Mar e Ogum Iara, que a caridade deve ser entregue as pessoas sem interesses ou trocas, e assim ela o fazia.

Quando Aninha completou sete anos, teve um belo encontro com a sua Mãe Iemanjá e seus protetores. Na mesma noite que ela tinha feito mais essa primavera, estando em seu quartinho, deitada em sua cama, ela ouve uma linda voz suave pedindo que ela acompanhasse uma pomba branca que arrulhava na pequena janela de seu quarto. E assim ela fez, seguindo a pomba branca pelo caminho que daria nas areias brancas da linda praia onde ela tanto se ajoelhava para fazer suas preces a Iemanjá e os Oguns Iara e Beira Mar, seus protetores.

Lá chegando, sentou-se na areia, contemplou o brilho de uma bela Lua cheia que a protegia de tudo e de todos. Sentiu a brisa vinda do mar, o som sem igual das ondas se quebrando na orla, a força do mar que a fazia ter esperanças em tudo que sonhava, o cheiro da maresia inconfundível. Ali ela permaneceu sentada por alguns minutos até que sua percepção mostra a chegada de alguém em sua retaguarda, ela se vira e se depara com uma linda mulher de cabelos negros e sorriso materno, mas atrás dois fortes guerreiros com largo sorriso sereno. Ela já sabia de quem se tratava, ali estava diante de seus olhos de menina a poderosa Rainha do Mar e os guerreiros da falange de Ogum na linha dos Oceanos.

Iemanjá se aproxima da menina enquanto os protetores ficavam um pouco mais afastados. A Senhora das Sereias estende as mãos a pequena Aninha, afaga seus cabelos longos, acaricia seu rosto infantil e abrindo um sorriso lhe diz:

"Minha menina de luz, sua missão está chegando ao final. Você nasceu para servir a caridade, cresceu para curar seus semelhantes, e agora vai partir para salvar a vida de dezenas e dezenas dos filhos de Deus.

Peço que não tenha medo, peço que não guarde mágoas, peço que compreenda o homem e suas ganâncias, pois esse ainda é imperfeito.

No momento de decisão, use seu coração e sua bondade para com seus semelhantes. Muitas crianças dependerão disso para continuar a caminhada, e só você pode fazê-las prosseguir.

De hoje a sete dias, quando você tiver sete anos e sete dias, Deus vai colocar a prova a sua caridade e seu amor pelos seus semelhantes. Seu retorno a sua casa pode lhe trazer medos, porém sua coragem e sua fé devem vencer esse medo, para que assim você parta para os braços de Oxalá, e após isso sua missão retorna, porém na luz espiritual. Seja corajosa, eu e seus protetores estaremos lhe aguardando, e você será avisada no momento crucial o que deverá fazer.

Fique com as bençãos de Deus!"


E assim, as três imagens iluminadas partiram, deixando a menina Aninha reflexiva sobre tudo aquilo que escutara.

Dali ela retorna a seu lar, em meios de pensamentos que não sabia muito bem como agir, as vezes sentindo receios, as vezes felicidade, porém nunca deixava a sua fé se abalar.

Ao estar novamente com sua família, escuta seu pai em diálogo com um velho pescador, e o assunto era justamente as curas feitas pela pequena menina aos necessitados. Sem perceber a presença de Aninha eles cogitavam a ida de um pesqueiro a uma ilha distante para resgatar dezenas de pessoas adoentadas, fazendo com que Aninha as curassem com seu dom. Diziam eles que males atacaram as pessoas dessa ilha e as doenças se disseminaram por todas as partes, e a única saída daquele povo seria trazer os adoentados para serem cuidados e observados dentro da região onde a menina fazia moradia, pois na versão do pai da pequena Aninha, só poderiam ser curados por ela os que com eles viessem.

O pai de Aninha e o pescador já tinham entrado em contato com os líderes daquele povo, contando a versão deles, que naturalmente não era verdadeira, e acertado que no dia seguinte, embarcariam as pessoas e retornariam ao seu destino.

E assim foi feito, pois no dia seguinte todos estavam preparados, inclusive Aninha que fez questão de ir para acalentar as pessoas mais necessitadas durante a viagem, isso mesmo a contra gosto de seu pai.

Ao chegarem lá ela verificou que a maioria dos adoentados eram crianças, que tinham ao seu lado os pais desesperados, e tinha certeza que deveriam tratá-los o mais rápido possível, pois muitas dessas crianças estavam entre a vida e a morte.

Porém seu pai não autorizou a menina a tratá-los ali, dissera que o ar estava impregnado pelos males, e poderia ser perigoso permanecer ali por mais tempo.

A menina pestanejou, mas sem sucesso, ela teve que obedecer o pai, que a arrastou até o pesqueiro ancorado, e após esse gesto ele tomado por uma fúria jamais vista por ela disse que iria retornar para buscar os adoentados para serem levados até o arraial de moradia de Aninha.

Ela mesmo sem entender o porque seu pai estava agindo daquela forma, respeitou e se calou. E quando ele retornou, ela se pôs de joelhos e orou pedindo forças para todos que se encontravam doentes na pequena ilha. E nesse momento ela observa no céu azul as imagens de Iemanjá, Ogum Beira Mar e Ogum Iara sorrindo para ela, que a acalmou lhe trazendo paz.

Após levarem todos os que foram atacados pelos males para o pesqueiro, o pai de Aninha juntamente com o velho pescador, tomados pela ganância, navegaram com o barco até certo ponto no mar, e lá disseram que só poderiam levar aqueles que pagassem certa quantia a eles, podendo ser em ouro, prata, ou qualquer bem que as pessoas tivessem, caso contrário ficariam parados ali.

Muitos se desesperaram em ver seus filhos inertes, rogaram pelo amor e a caridade dos dois gananciosos, mas eles estavam irredutíveis.

Desejosos de riquezas, independente como as conseguisse, ficaram ancorados a fim dos pais desesperados retornassem a ilhota e pegassem todos os bens que possuíssem, afim de pagarem aos dois pescadores a viagem e a cura dos seus entes amados.

Enquanto isso, Aninha Estrelinha do Mar sem saber do acontecido, continuava a fazer seus trabalhinhos de cura escondida do pai.

Ao retornarem com alguns bens, os pais desesperados entregaram tudo aos dois gananciosos, que ao verem que não era muita coisa, pois os moradores da pequena ilha eram paupérrimos, disseram que não levariam os adoentados e nem a menina iria fazer a cura desejada.

Nesse momento a menina Aninha sai ao convés, escuta seu pai falando a um dos líderes do grupo sobre o pagamento. Ela o recrimina pesadamente, lhe dizendo que não poderia cobrar nada aos irmãos sofredores, e que ele deveria devolver o que já tinha pego. E ela não necessitava sair da ilhota para tentar curar os adoentados.

O pai de Aninha ficou furioso, e num gesto de ódio ameaçou a estapear a menina. Ao levantar as mãos para agressão, o céu escureceu, o dia virou noite, raios cortavam todo horizonte, a tempestade caiu de uma forma torrencial, o mar se revoltava, os ventos uivantes vinham de todas as partes. Todos se assustaram, a correria começou, o pesqueiro rodopiava, balançava violentamente, alguns pescadores eram atirados ao mar, outros gritavam desesperadamente, e alguns rezavam, clamando a Deusa dos Mares que salvassem suas vidas.

As crianças adoentadas choravam de pavor, os pais tentavam uma proteção ineficaz; o pai de Aninha tentava colocar o pesqueiro sob seu domínio, porém as forças das águas do mar não lhe permitia isso. 
Aninha extremamente preocupada com os doentes, chegou até a proa do barco, abrindo os seus bracinhos disse:

"Mãe amada Rainha do Mar, entendi agora suas palavras antes de minha partida a essa viagem. Entendi a ganância dos homens, entendi a quem não devo guardar rancor. Agora entendo que não devo ter medo, que devo salvar a todos dessa embarcação. E a ti me entrego minha Mãe, a ti entrego meu caminho, e assim rogo apenas que salve a todos dessa tempestade que mostra que devemos ser caridosos, e caridade nunca deve ser cobrada.

Rogo também pelo perdão a meu pai e a seus comandados, e que eles nunca mais usem da oportunidade de fazer o bem em troca de seus próprios interesses."

Nesse instante, o pesqueiro rodopiou e se inclinou, fazendo menção de naufragar, e no mesmo instante, nas águas do mar apareceram três filhas de Iemanjá. E essas três Iabás acenando para Aninha, a chamaram para junto delas, e a menina sem pestanejar se joga nas águas revoltosas e violentas do Oceano.

Ao ver essa cena, o pai de Aninha solta um grande grito de desespero e de dor, tenta se atirar junto, porém é detido por outros pescadores.

Como num passe de mágica, as águas do mar se tornam mansas, os ventos se transformam em uma leve brisa. No céu não há mais raios, nem nuvem escuras, o Sol volta a brilhar.

O barco pesqueiro fica na posição de retorno a pequena ilha. Todos se entreolham. O pai da menina Aninha chora copiosamente buscando com os olhos a menina que se atirou ao mar.

Quando ele ia se atirar no mar tentando buscar sua pequena filha, uma luz brilhante pairou sobre a embarcação. Nessa luz estavam as imagens de Iemanjá, Ogum Beira Mar, Ogum Iara e ao centro a imagem da doce Aninha segurando sua estrelinha do mar.

A menina com uma voz suave e infantil disse:

 "Meus irmãos, Deus está curando todos os adoentados, nenhum de vocês sairão dessa embarcação carregando convosco males ou doenças.

Meu pai, peço-te para refletir sobre a ganância que tivestes. Devemos fazer a caridade sem cobranças, devemos fazer o bem para recebermos o bem, devemos ter fé para podermos distribuir esperanças.

Hoje parto da vida encarnada, começo a minha jornada na vida espiritual, tenho muitas coisas a aprender, porém tenho a minha mãezinha e meus protetores para me mostrarem os caminhos de luz. 

Deixo-te para refletir sobre esse dia de muitas lições. Não guarde culpas pois tu não as tens; tudo que aconteceu estava escrito, e só assim eu poderia partir para essa nova caminhada. Feliz eu fiquei nesses sete anos e sete dias de encarnada junto a ti e a mamãe, mas agora tenho que realizar e concretizar a missão que me foi dada por Deus. Fazer o bem na forma de Entidade de Luz.

Que Oxalá e todos os Orixás abençoe a todos vós!

Sua benção, meu pai!"

E assim as imagens dos quatro vão desaparecendo no mesmo instante
que a linda luz brilhante vai se dissipando.

O pai de Aninha chora desesperadamente, com os braços erguidos ao céu, sentindo-se culpado por tudo aquilo. Ele abaixa as mãos deixa sua cabeça cair, se vira junto ao líder do povo da pequena ilha, se joga a seus pés e lhe pede perdão.

Nesse instante, todas as crianças saem ao convés, além de todas as pessoas que antes estavam adoentadas, só que agora completamente curadas.

Todos se abraçam, e um a um vão se colocando de joelhos, erguendo as mãos ao céu, e assim iniciaram lindas orações a maravilhosa Erê Aninha Estrelinha do Mar.

E assim a doce menina virou a bela Entidade de Luz que é, fazendo caridade, curando males, trabalhando em prol da caridade, paz, amor e harmonia a quem necessita, e quem busca seu auxilio em terreiros de Umbanda.

Por: Carlos de Ogum

Fonte: umbandayorima.blogspot.com.br

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

EXU PORTEIRA


O Senhor Exu Porteira não cuida apenas das "porteiras" de um cemitério. A palavra porteira, na verdade, refere-se a "passagem" ou porta. Um Exu Porteira cuida de todos os portais e passagens de diversos lugares nos Planos Espirituais. Ele é o intermediário entre dois planos, sejam eles: espiritual e terreno, ígneo e telúrico, etérico e astral, ou outros.

Bom, o Exu Porteira desta seara nos contou a seguinte história: "Nasceu em Londres no século XVI, foi um Lorde inglês e aristocrata. Trabalhou junto ao governo da Coroa Britânica, servindo a Rainha da Escócia. Viveu uma vida de luxo e tradição junto ao Reino Unido por sessenta anos. Morreu em 1564, de parada cardíaca. Teve uma entrevida sem grande importância e depois reencarnou no Brasil, no ano de 1688. Tornou-se produtor de café nas terras do estado de São Paulo, durante o século XVIII, pois o café estava se poupularizando na Europa. Viveu novamente uma vida de luxo e aristocracia, dessa vez, junto ao governo português. Desencarnou aos 80 anos... Em suas vidas de aristocracia viajou muito e conheceu diversas culturas. Sempre foi um espírito muito inteligente, conhecedor das diferenças sociais e dos mistérios da vida. Ao chegar ao Plano Espiritual decidiu estudar e trabalhar. Queria entender os mistérios da vida e do Universo. Assim, tornou-se o Guardião das Sete Porteiras Espirituais!"

Fonte: umbandaempaz.blogspot.com.br

BOIADEIRO ZÉ DO LAÇO


José Aparecido nasceu em Sorocaba-SP e moleque ainda já acompanhava seu pai na lida como bandeirante a serviço dos portugueses. Ele era um mameluco. Seu pai era português e sua mãe uma índia tupinambá a serviço dos brancos. Quando José tornou-se adulto, seu pai o levou para as campinas do Rio Grande do Sul; era o ano de 1780 e os portugueses já haviam dominado quase todo o sul do país.

José ouviu falar da guerra que ocorreu entre índios e brancos e da matança desmedida e sentiu tristeza, porque parte de seu sangue era de índio. Ao ver os pampas gaúchos apaixonou-se pelas pradarias, vegetação, o gado, as construções e decidiu morar nesse local. Era uma região entre São Miguel e São Borja e havia muito gado solto devido a revolta e fuga dos índios.

José desde cedo descobriu que era bom no laço e em pegar gado arrisco; então foi apelidado de "Zé do Laço". De bandeirante Zé passou a tropeiro e de tropeiro passou a boiadeiro. Adquiriu um terrinha nas cercanias de São Borja e passou a cuidar do gado para os bandeirantes paulistas. O sul ainda era uma terra sem lei e a disputa entre espanhóis e portugueses ainda era visível. Por isso, Zé andava armado e cercado de jagunços. Foi nessa época que Zé conheceu a índia Potira da Aldeia São Borja das Missões e decidiu roubá-la.

Antigamente, índio se pegava no laço e laçar era o que Zé fazia melhor. Então ele "laçou" Potira e a levou para seu sítio, mas isso desencadeou uma pequena revolta e uma lutou se travou entre os jagunços e os irmãos de Potira. Os dois lados perderam pois morreram homens de ambas as partes. Zé quedou em combate atingido no peito. Mas, ainda conseguiu dizer a Potira: - Eu também sou índio!

Potira voltou ao acampamento, mas carregava em seu ventre uma criança gaúcha. O filho de Potira cresceu catequizado pelos Jesuítas e mais tarde lutou na Revolução Farroupilha. Zé do Laço tornou-se boiadeiro espiritual e passou a trabalhar em Aruanda.

Fonte: portalgiramundo.blogspot.com.br